Do seu longínquo reino cor-de-rosa,/ Voando pela noite silenciosa,/ A fada das crianças vem, luzindo./ Papoulas a coroam, / e, cobrindo/ Seu corpo todo, a tornam misteriosa.
À criança que dorme chega leve,/ E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,/ Os seus cabelos de ouro acaricia / –E sonhos lindos, como ninguém teve,/ A sentir a criança principia.
E todos os brinquedos se transformam/ Em coisas vivas, e um cortejo formam:/ Cavalos e soldados e bonecas,/ Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,/ E palhaços que tocam em rabecas…
E há figuras pequenas e engraçadas/ Que brincam e dão saltos e passadas…/ Mas vem o dia, e, leve e graciosa,/ Pé ante pé, volta a melhor das fadas/ Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.
A Fada das Crianças, Fernando Pessoa
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